sexta-feira, 15 de abril de 2011

hoje olhei um quadro que tenho, no meu quarto, de mim aos 3 anos mais ou menos. eu quis tacar ele longe. toda aquela fofura ali retratada se tornou esse ser que hoje se afunda em raiva e lágrimas.

sabe, antes que eu nascesse um senhor me perguntou o que eu queria ser: homem ou mulher. eu escolhi ser mulher. daí ele me perguntou com quem eu queria casar: homem ou mulher. e eu escolhi mulher. talvez por ser a única palavra que eu conhecesse já nessa época, mas assim escolhi e aqui estou. soubesse eu, naquele minuto anterior eu meu nascimento que essa simples palavra poderia me dar todo o trabalho e a dor que estou tendo agora eu com certeza teria dito homem. ao menos a uma das perguntas. e quem dera realmente tivesse sido assim.

depois de nascer eu já não escolhi mais nada. por muito tempo não escolhi nem a roupa que eu ia vestir. na casa que eu moro nao escolhi nem a cor da parede do meu proprio quarto. não escolhi quantos anos minha mãe viveria ao meu lado. não escolhi por quem eu me iria apaixonar. não escolhi com que parte da familia iria morar. não escolhi as escolas onde ia estudar e mal escolhi os amigos que eu ia ter. tanto que nenhum dos que já passaram continuaram.

ser mulher é complicado. você é homem? não vai me entender. ser mulher é muito complicado. homossexual entao, nem te falo.

contas a pagar, sonhos pra sonhar, tentar manter o nível de vida que a família sonhou pra você é impossivel. e sou e pra sempre serei a rebelde. o desastre. a intrusa.

pois pra mim chega.

tá, chegar chega, mas pra onde posso ir? o que posso fazer?

terça-feira, 29 de março de 2011

as coisas hoje não saíram exatamente como eu queria.

o apartamento da praça supostamente está vazio, mas eu não posso me mudar pra lá pq eu não tenho condição financeira pra ir pra lá. e a minha família não quer me ajudar.

e é tanta coisa pequena que um dinheirinho que nem é muito já resolveria.

eu não entendo pq ele é tão fundamental e ninguém nunca tem esta porra.

vou jogar na megasena. vai que funfa...

=/

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Não tem muito tempo, eu percebi que não tenho amigos.

Não que eu não tenha amigos do tipo pessoas pra sair na night, mas amigos mesmo pra ligar e contar sobre as merdas que acontecem no dia-a-dia (como está isso na nova compostura gramatical?), sobre as merdas que dão por aqui e por ali, até mesmo pra conversar sobre o namoro, tirar algumas dúvidas da minha personalidade horrorosa e ponderar sobre o que eu deveria fazer.

Não tenho. E não adianta você vir me dizer o contrário agora.

Do mesmo jeito que não tem quem me ligue pra chorar sobre aquela ou esta pessoa. Quem ligue pra reclamar sobre a falta de dinheiro, sobre a política do Brasil, sobre os acidentes e azares da vida. Ou mesmo sobre as felicidades.

Não tenho. Não vem com essa!

Tendo tido essa percepção eu desejo mudar. Porém, agora, me resta o como.

Você quer saber o que aconteceu? Tá bom.

Eu não sei exatamente como foi, nem em que tempo, nem nada assim, mas ao longo desses anos eu tenho trocado muito o grupo de amigos. Quando eu saí do Brasil em 2003 eu tinha alguns grandes amigos. Hoje em dia os considero mais por tempo de amizade, porém tenho certeza que se eles vierem choramingar pra mim, pedir ajuda sobre qualquer coisa etc, não faltarei com eles e imagino que nem eles comigo. Mas, eu não ligo pra eles, nem mando *cartas*, nem eles pra mim.

Dentro da faculdade eu tinha amigos. Tinha alguns que eu adorava e outras pessoas que eu já esqueci com certeza dos nomes. Eles se formaram em 2005 (é isso mesmo? meu deus!) e eu estou lá. Ainda. A gente perdeu contato. Fiquei dois anos longe. Quando voltei em 2005 pra faculdade eles estavam se formando e o contato já tinha sido perdido.

Daí veio o novo grupo e a primeira namorada. O grupo era grande e tenho certeza que estou me esquecendo de alguns. Não sei se por causa do namoro ou por outros fatores fomos nos distanciando, mas foi um grupo terrivelmente sólido durante seus quase 4 anos de existência. Isso você pode ver nesse link: http://www.youtube.com/watch?v=Q8hNJOwRn9g

Depois, ou no meio deles, chegaram outras pessoas, eu terminei o namoro e verdadeiramente, acho que por erro meu mesmo, eu me liguei muito aos novos e esqueci o outro pessoal. Acho que nesse época foi a vez de outra pessoa ir prum navio e aí um link foi perdido, acho, por um tempo. Quase todos se foram e continuamos ali, nós 4 (eu, Rossana, Marcelle e Ju Cachos).

Agora, o grupo é enorme, mas amigos mesmo? Hum... A namorada também mudou e continua influenciando. No último relacionamento eu sei que me distanciei de alguns amigos. Muitos que ela não gostava, tinha implicância. Outros que...não sei...se foram, se afastaram.

Ou talvez eu confunda tudo.

Nenhuma dessas pessoas, eu garanto, me deixaria na mão. Nem antes, nem hoje. Mas...

Quanto ao grupo de hoje? Não sei. Acho que confundo muito as coisas. Acho que queria que todos os meus amigos me tratassem como irmã. Acho que sou muito carente e não sei pra onde correr. Mais por achar que serei rejeitada do que qualquer coisa. E recorro sempre à namorada. Talvez até sobrecarregando a pobre alma. =p

A verdade é que ontem fiquei razoavelmente feliz. Eu tava puta, chorando e uma amiga me ligou e me perguntou o que eu tinha etc etc etc. E me chamou pra ir ver o jogo, disse que era mesmo melhor que eu fosse e tal, que a gente conversava, eu espairecia e tal. Eu não fui por preguiça (e medo de nego aqui me enxer o saco por eu estar saindo de novo), mas agradeço muito o carinho.

Sei lá, é tudo tão complicado. Eu perco o foco, não sei lidar. Me interesso mais por um num dia, outro no outro, me lembro dos antigos, fico triste, fico feliz.

=/